Recentemente anúncios em jornais e TV chamaram-me a atenção. Associavam aumento de gravidezes indesejadas em adolescentes com cenas de pornografia em programas televisivos. Uma relação, acredito, verdadeira, sem dúvidas, mas que deixa de lado inúmeras outras variáveis imprescindíveis para uma conclusão mais acertada da pesquisa.e

O ser humano desenvolve sua personalidade através de sua relação com o mundo. Desde pequenos adquirimos conhecimentos, comportamentos, os quais carregamos por toda nossa vida. É claro que há também a ação de nossa genética, herança herdada de parentes mais íntimos: nossos pais e avós. A sexualidade humana também se inicia nessa época. Os pais são os primeiros a nos dar idéia sobre nossa relação com o mundo. Freud, inclusive, considerava a sexualidade não só sexo em si mas também nossas diversas formas de relação com o meio ambiente. Pouco discutem sobre atos sexuais e suas conseqüências, ou então muitas vezes o fazem de maneira errônea e/ou inadequada, pois desde suas próprias infâncias já vêm com déficit intelectual sobre o assunto. Se hoje dialogam pouco, imaginem na época de nossos avós…

Outro local de formação intelectual, cultural e sexual é a escola. Lá aprendemos a nos relacionar, a ter disciplina*, as diferenças, igualdades. E lá também não existem discussões nenhuma sobre sexo. Em geral os professores não estão preparados a esclarecer a enorme quantidade de dúvidas que pairam na cabeça dos guris. Não existem matérias específicas; palestras raramente ocorrem. Há de se lembrar também de nossa educação religiosa, a qual discute muito pouco a sexualidade humana e quando o faz é de etiologia preconceituosa, sem profundidade e embasamento científico, cristalizando mitos e tabus na personalidade do fiél.

Onde então podemos saber como evitar uma gravidez? Na rua, na TV, no rádio, com os amigos… Num país como o Brasil, onde o jovem sofre com a falta de lazer público e segurança, a TV tornou-se um grande meio de informação e descontração. Muita da formação intelectual dos jovens de hoje vem da mídia televisiva, a qual é muito sensacionalista e apelativa. Essa imprensa busca telespectadores e, cenas de sexo, o nu feminino ( principalmente), traz muita audiência. Sabendo disso, por que não encher a programação de cenas eróticas? O canal que não provém desse artifício acaba para trás. Assim, já se tornou comum um look erótico nas novelas, programas de auditório com mulheres semi-nuas, sensacionalização de experiências sexuais, etc. Será que a mídia está errada em obter ganhos com a sexualidade humana? Talvez não. O que a pesquisa divulgada esqueceu de informar a população é justamente isso. Simplesmente condenar cenas de sexo na TV e esquecer da educação sexual de nossas crianças é uma alternativa hipócrita e incompleta. A TV e a internet podem ser considerados locais de se aprender como usar camisinha , anticoncepcional e transmissão de DST’s, mas não são exclusivos. Muito dessa educação deve vir primordialmente de casa e da escola. Temos que preparar nossos mestres para discutir com os alunos, aumentar o número de palestras conscientizadoras, agir na raiz do problema. Por que não existir uma matéria optativa no currículo escolar?A mídia provavelmente continuará sensacionalista e deturpadora das notícias de sexo e, como empresas, visam lucro.

Imaginem se houvesse uma nova pesquisa, agora demonstrando onde os adolescentes aprendem sobre DST’s e gravidez indesejada, sexualidade humana em geral: Em casa? Na escola? Com os amigos? O resultado da pesquisa acho que todos nós já sabemos… que pena.

*Destruir e depredar escolas não é a melhor forma de melhorar nossa educação. O fato de isto estar acontecendo mostra o descaso de nosso governo a essa área. Educação Sexual Via TV