Apesar da imensa maioria dos pacientes da sexologia serem mulheres, as estatísticas vêm mudando lentamente. Acreditem se quiser! Os homens têm se tornado mais sensíveis e procurado mais ajuda médica! Também pudera, numa sociedade essencialmente machista, homem não chora e é obrigado a resolver tudo na base da truculência. Esse sim é homem de verdade! Devagarinho estamos percebendo que não é bem assim. Vale ressaltar o nível de estresse a que é submetido um ser humano nos dias de hoje. A cobrança sobre os ombros já começa no jardim de infância(Lê-se ambos os sexos). Nada mais normal que os problemas sexológicos viessem definitivamente à tona. Não que não existissem, mas a freqüência parece ter aumentado. Outra hipótese seria o maior acesso a serviços de saúde, acrescendo a possibilidade de diagnósticos.
A ejaculação precoce, uma doença predominantemente comportamental e psicológica, é uma das mais prevalentes abaixo dos 40 anos de idade. Acima, predomina a impotência sexual. Existem muitos outros problemas, como o mito do tamanho do pênis e a atração por outros homens. O fato de ficar “encanado” atrapalha muito o desempenho. É muito difícil mudar essa história de tamanho de pênis. Os varões acham que quanto maior melhor para a satisfação feminina mas, na verdade, falo grande acaba machucando e provocando desconforto nas parceiras. Sem contar que o prazer feminino, quase que na sua totalidade, encontra-se mais externamente, no clitóris e entrada da vagina. Também é muito comum as reclamações quanto às fantasias. Com medo do julgamento da família e sociedade os homens ficam se culpando por seus pensamentos, um enorme trauma por se acharem gay por isso. É claro que não tem nada a ver, fantasias e relações sexuais de fato estão bem distantes e pensamentos não definem sexualidade de ninguém. A mente pode divagar e a pessoa não ter orientação homo, mas o medo de ser gay, ser discriminado é tão grande que acaba provocando alterações no desempenho sexual. Como escutei de um paciente: “Tem de ser muito macho para ser gay.”
É muito natural esse sentimento machista, afinal, crescemos martelando isso em nossa cabeça. Cada vez mais estamos nos percebendo mais humanos, passíveis de adoecer, de nos sentirmos frágeis, de chorar, de precisar de ajuda, de carinho. Homens precisam de manutenção, não são apenas máquinas programadas. Lentamente homens e mulheres, independente de orientação sexual, estão se misturando nas suas condutas frente a sociedade e é muito legal ver um paciente que nos procura desesperado, após muito tempo de sofrimento interno, contente com seus pensamentos e idéias, novo para enfrentar o dia a dia sem encanações, feliz com sua personalidade. “Homem chora sim doutor! Mas de agora em diante espero chorar é de felicidade!”. Isso é muito gratificante.
Dr. Gustavo Maximiliano fev/2010
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