Lendo algumas notícias de um importante jornal brasileiro uma me chamou a atenção em especial: “9 mil mulheres indiciadas a comparecer à justiça por terem praticado aborto…” Isso me levou há um monte de questionamentos, pois essa é uma prática tão comum que, se levada à risca, não caberão na delegacia tantas mulheres.

Engraçado que está no código de lei brasileiro: aborto é crime com previsão de pena… ta ta ta… mas como acontece em nosso país, todos sabemos, o que está no papel é totalmente diferente da realidade. Pobre é que vai preso. Isso não está na lei, mas é verdadeiro. O motivo da correria dos promotores é devido a possibilidade de “prescrição dos crimes”, ou seja, após certo tempo de realização o crime não existe mais. Isso mesmo. Faz o crime, dá um tempinho, que está tudo numa boa. Esse é o Brasil. Críticas a parte, já está na hora de uma nova visão por parte de nosso sistema de saúde: o aborto é livremente praticado sim. Quem tem mais condições vai até aquela clínica clandestina ali na esquina.

Quem não tem compra um citotec no mercado negro ou fala com a aborteira ali da outra esquina. A questão não é a legalidade do aborto, tema tão discutido e sem conclusões, mas a prática livre sem acompanhamento especializado. Dificilmente a prisão ou indiciamento das praticantes vai mudar alguma coisa nesse país. É preciso orientação dos jovens, prevenção, educação. Não se fala de sexo e de prevenção nas escolas. As nossas unidades básicas de saúde não funcionam, são burocráticas, e educação sexual nesses locais é raridade. Assim, chega até a gente jovem de dezoito anos com três abortos provocados, que sabe o que é um citotec mas não tem nem idéia do que seja um DIU ou tabelinha. Vai adiantar interrogar 9 mil?  Se tivéssemos políticos  ou justiça competentes iriam perceber  que o mais vantajoso e com menos gastos seria “educar” 9 mil. Mas, pelo andar da situação, continuaremos assim, do avesso, por décadas… séculos… é o Brasil.