Está crescendo o interesse pela área da sexologia e uma dúvida comum que o público tem me enviado refere-se à compulsão sexual. ‘Dr, quero fazer sexo com minha namorada mas ela diz que só penso nisso…. será que tenho algum problema?”. Perguntas como essa são comuns em nosso cotidiano. Até para nós profissionais do assunto é difícil englobar corretamente o que é considerado patológico ou não. Até o momento, definimos como patologia quando o indivíduo tem um excesso de fantasias e interesse sexual, fugindo do seu controle, atrapalhando suas atividades rotineiras e seus relacionamentos, e uma constante sensação de desconforto e culpa após realizada sua compulsão. No caso, se o indivíduo está contente com sua vida sexual, não é considerado doença. É muito importante também respeitar o desejo sexual inerente a cada um. Cada pessoa tem a sua libido constitucional. Alguns querem sexo diariamente outro não. Cabe ao casal discutir uma forma de se ajustar quando a libido é incompatível. Estudos sobre o assunto também nos informam que geralmente a compulsão sexual não anda sozinha. O indivíduo compulsivo geralmente tem tendências a outros vícios que não o sexual, como por drogas, pelo jogo , por alimentos ou compras. A associação com parafilias, como o voyerismo, fetichismo, pedofilia, etc, também não são incomuns. Na imensa maioria os compulsivos tem uma resposta sexual normal, com desejo, excitação e orgasmo presentes. Na conversa com o paciente é obrigatório que o especialista questione sobre como acontece esse interesse sexual exacerbado. No geral, o indivíduo acaba tendo sérios prejuízos no trabalho e em seus relacionamentos e o suicídio costuma ser uma resolução impensada. Numa sociedade julgadora e preconceituosa, muitos deixam de procurar ajuda por vergonha. Essa doença é tratável e pode ser controlada. No tratamento são utilizadas medicações, terapia cognitivo comportamental e terapia em grupo(como nos alcoólicos anônimos), e os profissionais envolvidos são os psiquiatras, psicólogos e sexólogos. A sintomatologia varia de pessoa para pessoa e é necessária uma avaliação para se saber o tratamento mais indicado. Os resultados, assim como outros vícios, variam de acordo com a força de vontade do paciente em vencer o problema. Muitos casais ficam se questionando se um dos parceiros quer de mais ou de menos e dificilmente procuram a ajuda do especialista, terminando o relacionamento por algo facilmente ajustável . O importante é acabarmos com os preconceitos e entender que os seres humanos são diferentes e não existe um número de relações sexuais semanais considerado normal. Cada qual à sua maneira. Se praticado em sintonia com o dia a dia e com a ajuda e consentimento do parceiro, várias relações sexuais prazerosas semanais só trarão benefícios e união duradoura do casal. É isso!