Hoje em dia a área da sexologia está em plena ascensão e cada vez mais profissionais tem se interessado pelo assunto. O número de pacientes também tem crescido bastante e uma enorme gama dessas pessoas queixa-se do egoísmo do parceiro. Muitas vezes essa queixa não é direta. O paciente não demonstra que o parceiro é “egoísta”. Após muita conversa do sexólogo percebe-se uma relação que privilegia-se apenas um dos praticantes. Como assim “egoísta”? Vivemos numa sociedade predominantemente machista, onde as relações sexuais privilegiam principalmente o sexo masculino. Muitas mulheres se apresentam no consultório informando: “Dr. , meu marido goza e dorme e eu fico chupando o dedo e frustrada… como posso melhorar isso?”. Inclusive, muitas passam anos e anos submetidas a esse tipo de relacionamento e nunca sentiram o prazer máximo, um orgasmo. Dessa forma, diversos homens, por força do hábito, acabam tornando-se ejaculadores precoces e também acabam precisando de tratamento. A mulher sempre teve o seu prazer subjugado, em segundo plano. Mas com o passar dos anos, o “sexo frágil” tem buscado resgatar o seu prazer perdido ao longo dos tempos. O parceiro egoísta está com os dias contados. Sem contar também que as mulheres estão aprendendo a se satisfazer sozinhas, deixando de lado o tabu que envolve a masturbação. Na verdade, elas têm mesmo razão. O prazer humano não pode se negar para um dos lados. O termo “cumplicidade sexual” ilustra justamente isso, ambos se doando ao prazer mútuo. “Preocupa-te comigo e eu contigo”; ou “vamos gozar juntos?”. Isso não é uma regra. Existem vezes que um parceiro deseja apenas satisfazer ao outro. Mas a recíproca tem de ser verdadeira. Isso denota amor, carinho, sexo duradouro. Inúmeros casais resgatam relacionamentos desgastados através do prazer mútuo. Estar junto significa ser cúmplice, companheiro. É preciso entrosamento, saber do que o outro gosta. Já perguntou ao seu parceiro se ele está mesmo contente? No que posso melhorar? Onde você gosta que eu aperte, meu amor? São perguntas simples do dia a dia mas que muitos casais se esquecem e acabam entrando na rotina, mesmice, egoísmo e acomodação. Assim acaba o tesão. A cumplicidade sexual é algo muito poderoso capaz de resgatar casais nos quais a libido perdeu-se no tempo. A nova era do prazer inclui a reciprocidade. Gozar, virar para o lado e dormir está ficando fora de moda.