As mulheres estão passando a descobrir mais a fundo seus poderosos orgasmos nas últimas décadas. Depois de tanto reducionismo e machismo por longos séculos, cada vez encontro notícias sobre o assunto. O engraçado é que, cientificamente, pouco andamos. Mas é legal e prazeroso encontrar diálogos livremente de pessoas descrevendo seus ápices orgásmicos por toda net. Relatos importantes nesses últimos tempos remontam a Freud, o pai da psicanálise. Ele dizia que a mulher conhecia inicialmente o orgasmo clitoriano e, com a sua posterior maturidade, o vaginal. Certa ou errada, a opinião de Freud provocou muitas discussões na época, o que fez com que um assunto obscuro tornasse-se mais evidente. Em 1950, um biólogo chocou a sociedade americana da época com suas pesquisas sobre sexo. Alfred Kinsey revelou uma gama de comportamentos sexuais masculinos e femininos, dentre eles masturbação, homossexualismo, coito anal e especialmente as relações extraconjugais, praticadas em muito maior número do que a sociedade da época pudesse admitir publicamente. Assim, a teoria de transferência clitoriano-vaginal de Freud passou a ser oficialmente desafiada. Encorajados pelo progresso científico de Kinsey, Master e Johsons também estudaram profundamente o sexo dentro do laboratório, e dentre suas conclusões afirmaram que existe apenas o orgasmo clitoriano, sem distinções. Já por volta de 1980, novos pesquisadores desafiaram as teorias já instaladas e informaram através de suas pesquisas que o orgasmo clitoriano não é imaturo e nem o único possível. Outro ponto importante foi a “descoberta” do ponto G e a ejaculação feminina, por John Perry e Beverly Wipple, muito discutíveis até hoje. Agora, como profissional do assunto, encontro relatos de orgasmos clitorianos, vaginais, combinados, anal (isso mesmo, anal!), múltiplos…. e sei lá onde isso vai parar. Já ouvi falar da possibilidade de homens separarem o orgasmo da ejaculação e obterem o orgasmo múltiplo. É, os homens não estão excluídos dessa evolução… mas como provar cientificamente tudo isso? Além do tabu, preconceitos, poucos são os investimentos das autoridades científicas e governamentais. Aliás, em nosso país, qualquer estudioso sofre para provar alguma coisa. Só se tirar do próprio bolso, isso sim. Tanto potencial para assistir os gringos lançarem um trabalho atrás do outro. Continuamos sendo coadjuvantes. Tristezas de lado, anima-me a sociedade estar vivendo um novo “up” sexual, procurando novos orgasmos e esquecendo a vergonha dessa nossa importante função corporal esquecida ao longo dos tempos. Provando ou não, continuarei divagando. Ou melhor, gozando… e múltiplos, combinados, seriados… e por aí vai…